quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

Secretário de Saúde e mais três são demitidos após vacinação de crianças contra Covid-19 com doses para adultos



O secretário de saúde de Lucena, Antônio Paulo, a técnica que aplicou as vacinas para adultos em pelo menos 48 crianças, a enfermeira responsável pela Unidade Básica de Saúde (UBS) onde houve a vacinação e a chefe de imunização do município foram afastados dos cargos nesta segunda-feira (17).

A decisão do prefeito, Leo Bandeira (Solidariedade), foi anunciada durante entrevista coletiva. A previsão é de que as exonerações dos quatro sejam publicadas no Diário Oficial do município ainda nesta segunda, de acordo com a assessoria de comunicação da prefeitura.

Entenda

Pelo menos 48 crianças foram vacinadas contra a Covid-19 com doses para adultos na USB de Lucena, na Região Metropolitana de João Pessoa.

A vacinação teria acontecido desde dezembro de 2021, mas só foi divulgada no sábado (15), após denúncia apresentada ao Ministério Público Federal (MPF).

Os imunizantes também em uma âncora da UBS que fica em um assentamento na cidade.

Em depoimento dado ao MPF na tarde do domingo (16), a técnica de enfermagem que aplicou as vacinas informou que aplicou as doses nos dias 29 de dezembro de 2021 e 7 e 11 de janeiro de 2022, ou seja, antes de iniciar o calendário de vacinação para crianças entre 5 e 11 anos, que começou no último sábado (15).

A vacina da Pfizer usada nas crianças fazia parte do lote FN3457, destinado a adolescentes e adultos.

Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, as vacinas armazenadas em temperatura de 2ºC a 8⁰C devem ser usadas em até 30 dias para que a eficácia do imunizante seja mantida. Agora, a SES investiga se esse período de 30 dias já havia passado entre a distribuição para Lucena e a aplicação nas crianças no dia 29 de dezembro. Caso seja confirmado, as vacinas são consideradas vencidas.

Segundo informou o prefeito de Lucena, as crianças estão sendo acompanhadas por uma equipe específica designada para esta função. “Temos uma equipe acompanhando diariamente, casa por casa, para saber se [as crianças] tiveram reação ou problemas”, disse.

Ainda conforme o gestor municipal, médicos e enfermeiros vão diariamente até as casas das crianças. Se alguma anormalidade for identificada, a equipe de saúde do município vai decidir qual procedimento adotar.

Por outro lado, a mãe de duas crianças vacinadas de forma incorreta disse em depoimento ao MPF-PB que os filhos não receberam acompanhamento de nenhum órgão de saúde.

O secretário Geraldo Medeiros explicou que a orientação do Programa Nacional de Imunização (PNI) é de que a partir de quatro semanas, as crianças sejam revacinadas com a dosagem pediátrica, de um terço da dose do adulto e com vacinas em pleno prazo de validade.

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